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Perguntas Frequentes

O consumo de luxo pelo brasileiro é diferente do consumo de luxo dos estrangeiros? O consumidor brasileiro tem potencial para consumir luxo com naturalidade, sem estar tão associado a status? Só a classe AB está consumindo essas marcas de luxo ou a nova classe média também está descobrindo esse mercado?
O Luxo no Brasil é um fenômeno recente, uma vez que vivemos décadas de economia fechada. Com a abertura das importações, o brasileiro teve acesso a produtos que não conhecia, e iniciou um processo de educação de consumo. A estabilidade econômica permitiu um maior planejamento, possibilitando um acesso ainda maior a produtos de Luxo.

Com o súbito acesso a produtos que desconhecia, o brasileiro inicialmente consumia com o principal objetivo de ostentação. Com o amadurecimento do mercado, as motivações de consumo variaram, e há diversos perfis de consumidor, desde o que compra com o objetivo de mostrar status, o que compra pela qualidade, o que consome pela história da marca, o que compra como uma forma de premiação, entre outros.

A classe média já é a maioria da população, e tem desejos de compra aspiracionais, buscando produtos diferenciados. Mesmo que o acesso não aconteça com a mesma frequência para esta classe como acontece para o topo da pirâmide, eles acessam. Como é uma classe numerosa, o volume total é extremamente relevante.

A relação do brasileiro com o Luxo é diferente de consumidores de outra nacionalidade? Por que? O que uma grife internacional precisa compreender para ser bem sucedida no Brasil? O nosso mercado tem alguma peculiaridade? Qual?
O brasileiro tem como característica marcante a necessidade de um serviço atencioso e diferenciado. O Brasil ainda será a grande escola de serviços para o mundo, dado o elevado padrão de exigência do consumidor local.

Nosso mercado tem uma particularidade clássica, o parcelamento. Várias marcas, quando chegaram ao Brasil, replicaram o modelo de negócios que usavam em outros países, mas demoraram a compreender que para obter sucesso local precisariam se adaptar à nossa realidade. E o brasileiro gosta de parcelar, até mesmo quando não precisa. O consumidor local não pensa se pode pagar o valor total pelo produto, apenas se a parcela cabe no orçamento.

O brasileiro é muito apaixonado por grifes. Seria um reflexo da sociedade emergente que busca ser reconhecida pelo que tem e não pelo que é? Isso também acontece em outros países do BRIC? O Brasil pode ser considerado um paraíso para as grifes que aqui desejam investir?
O brasileiro começou a ter acesso a marcas internacionais há pouco tempo, pouco mais de 20 anos. É um processo de amadurecimento. Este fator, aliado ao crescimento robusto da classe média, cria o ambiente perfeito para um consumidor que quer acessar o que é diferente e se permitir um momento de compra fora do seu habitual. E isso é absolutamente normal, na nossa e em outras economias.

Não usaria a palavra “paraíso”, mas o Brasil oferece ótimas oportunidades para marcas que queiram fazer um bom trabalho, que busquem conhecer o consumidor brasileiro e que tenham visão de longo prazo.

Os brasileiros tem viajado muito aos EUA em busca de compras. Como se explica esse fenômeno? As grifes que vendem lá e vendem aqui não são prejudicadas? Você acredita que as marcas nacionais conseguirão competir com as grifes internacionais? Como o mercado interno está lidando com isso? Ele vai se retrair ou deve melhorar? Com isso, quem ganha é o consumidor?
A compra no exterior prejudica as marcas que vendem também internamente. O brasileiro é um comprador voraz quando viaja, mas não deixa de realizar suas compras também internamente.

Temos marcas nacionais que competem com as internacionais em nosso mercado. Dois exemplos são Chocolat du Jour e Trousseau.

Sempre quem ganha é o consumidor, uma vez que as marcas aprimoram seus produtos e serviços para conquistar um cliente cada vez mais exigente.

Luxo é muito relativo, mas o que é luxo hoje para o brasileiro médio? Estamos vivendo uma era de popularização do luxo? Como você avalia o cenário de consumo de grifes no Brasil?
Estamos vivendo um momento de democratização do Luxo, não popularização. Temos uma classe média pujante e aspiracional, as marcas percebem este movimento e criam oportunidades de acesso, criando produtos de menor preço, linhas de produtos diferenciadas ou até mesmo novas marcas que entreguem prestígio e sensação de exclusividade que se assemelham à marca original.

Quem lida com esse mercado reclama de falta de profissionais? Houve crescimento na demanda por esses profissionais nos últimos anos?
O mercado sente a falta de profissionais qualificados, por ser um mercado com características próprias. Com a chegada de diversas marcas internacionais no Brasil (só este ano foram mais de 20 marcas a abrirem lojas/operações no país) temos um mercado cada vez mais aquecido que demanda profissionais com habilidades e competências específicas. O mercado de luxo no Brasil cresce em média 20 % ao ano e o país está em um momento econômico propício a esse crescimento, motivado por consumidores que se mostram cada vez mais ávidos pelo consumo de produtos especiais.

Segundo os dados mais recentes da MCF, quanto o mercado do Luxo tem movimentado no Brasil?
De acordo com a pesquisa “O Mercado do Luxo no Brasil”, da MCF Consultoria em parceria com a GfK, a evolução histórica do segmento do Luxo no Brasil é a seguinte (faturamento, em bilhões de reais):

2006 - 8,4 | 2007 - 9,9 | 2008 - 11,1 | 2009 - 12,3 | 2010 - 15,7 | 2011 – 18,5.

De acordo com levantamentos que realizamos constantemente com empresas do segmento, em 2012 projetamos um crescimento da ordem de 20%, que acreditamos que irá se manter durante os próximos anos.

Nos últimos anos, esse mercado ganhou o “reforço” de um novo time de consumidores de alta renda. Seria possível descrever o perfil destes compradores (eles são mais exigentes?; preferem as marcas tradicionais ou as mais modernas, associadas à inovação?; têm preferência por alguma grife?)?
Há um recente crescimento da classe média brasileira, que tem um comportamento aspiracional de consumo, ou seja, realizam seus movimentos de consumo tomando como base os hábitos do topo da pirâmide.

O nível de exigência do consumidor brasileiro de Luxo não encontra paralelo no mundo. O consumidor brasileiro gosta de ser mimado e demanda serviços que não são oferecidos na maior parte do mundo, ainda mais o conjunto de serviços que são ofertados aqui. Serviço de valet gratuito, espumante e petiscos à disposição, que as compras sejam levadas ao carro e até mesmo realizar as compras em sua casa, com os produtos sendo levados até ele.

O fato do novo consumidor se espelhar no topo da pirâmide significa que ele quer mimetizar o consumo tradicional, o que o leva a consumir marcas de renome.

É comum ouvir que estes consumidores não são afetados por medidas como o aumento do IPI para automóveis importados, a valorização do dólar ou o agravamento da crise internacional. Isso procede?
Todos são afetados por variação de preços, mas o mercado de Luxo não tem sentido como o varejo de massa. O consumo de Luxo sempre existiu, sempre existirá. Ele está diretamente relacionado ao prazer, o que quer dizer que, se há oportunidade, as pessoas consumirão Luxo, farão sacrifícios para acessá-lo. O mercado do Luxo também é afetado por estas medidas, mas ainda assim é um mercado crescente. Em um momento de recessão, com países apresentando estagnação no crescimento, o mercado de Luxo continua crescendo. Seu crescimento pode ser menor do que em momentos de conjuntura econômica mais favorável, mas ainda cresce.

O que é LUXO?
O Luxo está diretamente associado à noção de supérfluo e desnecessário. O Luxo nunca é essencial. É também sinônimo de excelência e qualidade indiscutível. Luxo é a absoluta atenção aos detalhes, e está intimamente ligado ao campo das aspirações, atendendo às necessidades psicológicas do homem.

Quem não faz parte desse mercado de luxo se assusta com os preços praticados. Como se justifica uma bolsa custar o preço de um carro? Por outro lado, já vi pessoas carentes – como, uma empregada doméstica - juntarem dinheiro para comprar uma bolsa Louis Vuitton no final do ano.
Marcas de Luxo sabem como se diferenciar no mercado por meio de uma gestão emocional, marcada pela obsessão por detalhes, percepções intangíveis, visão de longo prazo e comprometimento com a excelência. O consumo do Luxo foi democratizado, o que nos leva a uma reflexão sobre o comportamento de consumo. O surgimento de uma nova classe consumidora trouxe ao mercado de Luxo um novo cliente, aquele que tem acesso às mesmas categorias de produtos diferenciados, mas que traz em sua bagagem outras referências estéticas, comuns aos emergentes que representam mais da metade do consumo nacional dos dias atuais.

Uma bolsa que custa o mesmo preço de um carro – ou até mais – conta com uma série de diferenciais que são transmitidos e percebidos pelo cliente. É um produto com matéria prima diferenciada e exclusiva, confeccionado por um único artesão que foi treinado por mais de 5 anos para poder fazer aquela peça, e que trabalhará apenas nela por semanas. E o cliente sabe disso.

O fato de pessoas que não são consumidores usuais de Luxo desejarem produtos diferenciados é absolutamente normal. Todos nos espelhamos nos hábitos de consumo de classes superiores. E as marcas de Luxo trabalham este desejo, democratizando seus produtos e a forma de acesso. Uma empregada doméstica deseja uma bolsa de uma marca de Luxo, e busca conquistá-la. Pelo lado da empresa, há linhas com valores próximos do orçamento da maioria das pessoas. Além disso, o parcelamento é um traço cultural do consumidor brasileiro, que não pensa no valor final pago, mas se a prestação cabe no orçamento.

O que pode ser considerado um serviço de luxo?
Produtos e serviços de Luxo são essencialmente exclusivos, inacessíveis, contam com qualidade indiscutível, são atemporais, belos, originais e excelentes por natureza.

A partir das pesquisas feitas por vocês, quais são os principais desafios que o mercado de luxo enfrenta no Brasil?
Sem dúvida, o principal desafio é a legislação tributária brasileira, que encara produtos de Luxo como concorrentes para marcas nacionais, com taxações e impostos que elevam demasiada e desnecessariamente o valor final dos produtos. Em função dos impostos e tributos, o produto comercializado no Brasil tem preço substancialmente mais alto que em outros mercados, fazendo do país uma vitrine para as marcas, e das viagens, o principal concorrente das operações.